Em manutenção



Pintou limpeza

Óleo despejado em pias, além de entupir tubulações pelas cidades, acaba no oceano. Maiores poluidores são bares e restaurantes

Batata frita, bolinho de bacalhau e bife à milanesa são delícias que quase todo mundo aprecia. Quem diria que tais quitutes podem prejudicar o meio ambiente? Ao ser jogado na pia, o óleo vegetal das frituras pode entupir as tubulações da cidade e poluir o oceano.

"Calculamos que são despejados no mar 4 milhões de litros de óleo por ano", afirma o secretário estadual de Meio Ambiente, Carlos Minc. É mais que o triplo da quantidade registrada em um dos piores desastres ecológicos da história da Baía de Guanabara: o vazamento de 1,3 milhão de litros de óleo combustível da Refinaria Duque de Caxias, em janeiro de 2000.

Entre os maiores causadores desse tipo de poluição estão restaurantes e bares. A Secretaria de Meio Ambiente iniciou em maio um programa de reaproveitamento de óleo vegetal como matéria-prima para a produção de biodiesel.

Mas a turma da frigideira já descobriu uma forma de evitar a poluição e ainda fazer economia. É cada vez maior o número de bares e restaurantes que recorrem ao serviço de coleta de óleo vegetal usado.

Em troca, eles ganham material de limpeza. As empresas coletoras, por sua vez, faturam com a venda do resíduo para ser reciclado em fábricas de sabão.

Com doze filiais na cidade, o Gula Gula chega a usar 720 litros de óleo por semana. "Trocamos a gordura por panos de chão", diz a chef Ana Salles. A rede recorre à Disk Óleo Vegetal Usado (21-2241-7221), que tem um cadastro de 1.500 clientes, entre condomínios, restaurantes como o Olympe, do requintado chef francês Claude Troisgros, e hotéis como o Copacabana Palace.

Mesmo o consumidor doméstico pode descartar a gordura de forma ecologicamente correta. No caso da Disk Óleo Vegetal Usado, a recomendação é que se armazene o óleo em garrafas pet, que são recolhidas a cada 6 litros. Nesse caso, a coleta funciona como uma doação. Quando o recolhimento é superior a 50 litros, a empresa efetua a troca por material de limpeza ou paga de 20 a 30 centavos por litro. Quem lucra é o meio ambiente.

UM ESFORÇO QUE COMPENSA
• 4 milhões de litros de óleo vegetal são despejados no mar do Rio anualmente
• O consumidor residencial pode reciclar seu óleo, armazenando os restos em garrafas pet de 2 litros. Algumas empresas recolhem o líquido em quantidades superiores a 6 litros
• É mais interessante organizar a coleta no condomínio. A partir de 50 litros, as empresas pagam por litro de 20 a 30 centavos ou o valor em material de limpeza

Fonte: Revista Veja Rio - Livia de Almeida.

 

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